sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Lentes para queratocone


O queratocone é um problema familiar, em que há uma herniação da córnea para fora. Ela vai ficando pontuda, em formato de cone, como diz o nome, e a visão vai ficando cada vez pior, mesmo com óculos.
Nesse caso temos de usar lentes de contacto, pois a correcção com óculos é péssima, e essas lentes têm de ser rígidas.
A adaptação é difícil, dolorosa, mas imprescindível. Aqui deixa de ser uma opção para ser uma necessidade absoluta.
Hoje temos as lentes de dupla curvatura, sendo que uma das curvas faz o apoio corneano e a outra a correcção. São geralmente mais cómodas e com adaptação melhor.

Cirurgia refractiva:


Nunca fui adepto da cirurgia refractiva, pelo método chamado queratotomia radial. Nesse método damos vários cortes radiais na córnea, em "roda de carroça", e esses cortes, fazendo o enfraquecimento da periferia corneana fazem com que ela se projecte para frente, assim aplanando o centro da córnea.



A Minha experiência é que grande parte desses graus anteriores voltam após a cicatrização, e nunca mais conseguimos uma correcção razoável e estável com óculos e lentes de contacto.
Actualmente com o advento do excimer laser a cirurgia se torna muito mais confiável e funcional.



As cirurgias refractivas devem ser feitas após os 23 anos, quando a graduação passa a variar bem menos. Actualmente estão sendo feitas cirurgias diferentes, corno, por exemplo, a colocação de lentes de contacto de cristalino, para graus fortes, uma cirurgia semelhante à de catarata, em que o olho é aberto, mas o trauma corneano é muito menor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Queratocone? Qual a melhor opção ?




Queratocone é uma doença não-inflamatória degenerativa do olho na qual as mudanças estruturais da córnea a tornam mais fina e a modificam para um formato mais cónico que a sua curvatura normal.

Em estágios precoces, os sintomas da patologia confundem-se com os dum erro refractivo no entanto, com a progressão da doença, a visão deteriora, muitas vezes rapidamente. A acuidade visual piora em todas as distâncias (astigmatismo elevado) e a visão nocturna é frequentemente bastante fraca.

Outros sintomas presentes são a diferença na qualidade de visão entre os dois olhos, fotofobia, astenopia(cansaço visual) e, na maior parte dos casos, diminuição na percepção das cores.


O tratamento do queratocone visa proporcionar uma boa visão ao paciente, bem como garantir o seu conforto na utilização dos recursos que serão empregues. As alternativas de tratamento sempre são avaliadas nesta ordem: óculos, lentes de contacto, lentes de contacto RPG, semi-esclerais ou esclerais e cirurgia.

Dentro dos tratamentos cirúrgicos, o mais antigo é o transplante de córnea. Outras opções cirúrgicas são:
DALK - "Deep Anterior Lamellar Keratoplasty"
Corneal Ring Segmento Inserts (Intacs)/ Anel de Ferrara - implante de segmentos acrílicos dentro do tecido corneano . Uma vez implantados, estes segmentos diminuem a curvatura corneana na região do queratocone, promovendo uma melhora da acuidade visual compensada com óculos ou lentes de contacto.
CXL - collagen crosslinking with riboflavine
Keraflex KXL - queratoplastia termal por microondas (combinado com o CXL)


O Keraflex é um novo procedimento (o mais recente) de termoqueratoplastia. O procedimento utiliza energia de microondas dirigida a uma pequena circunferência anular na meia periferia da córnea. Este procedimento pode aplanar o cone e pode também ajudar a regularizar a córnea. Combinando este procedimento com o procedimento modificado de crosslinking de colágeno da córnea com riboflavina (vitamina B2) e raios ultravioleta, espera-se aumentar a estabilidade dos olhos assim como regularizar a sua geometria.

Embora ainda em testes clínicos nos EUA (não aprovado pela FDA), os primeiros resultados com esta tecnologia são promissores.

Para poder ver o vídeo respeitante ao funcionamento do Keraflex clique aqui.

Quanto mais cedo for diagnosticada a doença e aplicado o crosslinking (caso necessário), maior efectividade terá a estabilização do queratocone.

sábado, 3 de novembro de 2012

O Queratocone


O Queratocone é uma doença que enfraquece a córnea e, desse modo, causa um adelgaçamento da mesma. A pressão intraocular actuando sob esta córnea fina e enfranquecida causa o aumento da sua curvatura de uma forma irregular.
No Queratocone, a córnea assume uma curvatura aumentada (imagem à direita)



Esta alteração da forma da córnea causa níveis elevados de miopia e astigmatismo que, embora nas fases iniciais possam ser corrigidas por óculos ou lentes de contacto (mais frequentemente rígidas), nas fases tardias podem não ser susceptíveis de correção por estes meios e exigir tratamentos para fortalecimento da córnea como a aplicação cirúrgica de anéis intracorneanos ou a aplicação de medicação que, sob o efeito de uma luz especial (ultravioleta), consegue fortalecer a córnea e impedir o agravamento do queratocone (Cross-linking).
Em casos limite, aconselha-se o transplante de córnea, quer total (Queratoplastia Penetrante) quer parcial (Queatoplastia lamelar anterior, ou DALK).
O Queratocone é uma doença com uma componente genética importante, pelo que se aconselha a observação dos familiares.

domingo, 1 de julho de 2012

Anq - Associação Nacional do Queratocone

Contactos da Anq

Anq - Associação Nacional do Queratocone

Morada:
Estrada da Luz, 90, 4º D
1600-160 Lisboa

GPS: 38.750610,-9.172996

Telefone: 217 267 621
Fax: 217 267 621



terça-feira, 15 de maio de 2012

O que é o Queratocone?

Queratocone consiste numa ectasia corneana não inflamatória e auto-limitada, caracterizada por um afinamento progressivo da porção central da córnea. À medida que a córnea se vai tornando afinada o paciente começa a ter uma redução da acuidade visual, a qual pode ser moderada ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afectado.

O queratocone é dificilmente sentido pelas pessoas, pois este inicia-se, insidiosamente, como uma miopização e astigmatismo no olho. Esta patologia ocular pode evoluir rapidamente, ou, em outros casos, demorar alguns anos até o respectivo desenvolvimento. Esta doença pode afectar severamente a nossa forma de perceber o mundo, incluindo tarefas simples, como a condução de veículos, a observação das imagens de televisão ou até mesmo a leitura de um livro.

O queratocone tem o seu início, na sua generalidade, durante o período da adolescência, normalmente por volta dos 16 anos de idade, embora existam casos em que o mesmo se iniciou aos 6 anos de idade. É facto raro o seu desenvolvimento após os 30 anos de idade. O queratocone afecta homens e mulheres em igual proporção, e, em 90% dos casos, afecta ambos os olhos. Na sua maioria, a doença desenvolve-se assimetricamente: o diagnóstico da doença no segundo olho ocorre cerca de 5 anos após o diagnóstico do primeiro olho. A doença progride activamente durante um período entre 5 a 10 anos, podendo, todavia, estabilizar-se por muitos anos. Note-se que, durante o estágio activo, as mudanças poderão ser rápidas.
Quando estamos perante um estágio precoce da doença. A perda de visão poderá ser corrigida através da utilização de óculos: mais tarde o astigmatismo irregular requer correcção óptica através do uso de lentes de contacto rígidas. De facto, as lentes de contacto rígidas promovem uma superfície de refracção uniforme e, para além do mais, melhoram a visão.

O exame oftalmológico deverá ser realizado anualmente ou até mesmo durante um período inferior, e mais frequente, por forma a monitorar a progressão da doença.

Embora muitas pessoas afectadas por queratocones possam manter os hábitos de condução e leitura, o certo é que muitas sentirão uma perda da qualidade de vida, a qual é adversamente afectada.

Como é diagnosticado o queratocone?
A identificação de um queratocone moderado ou avançado é razoavelmente fácil. No entanto, importa referir que o diagnóstico de queratocone nas suas fases iniciais torna-se mais difícil, requerendo uma cuidadosa análise da história clínica do paciente, medições da acuidade visual e refracção, e ainda exames complementares realizados por instrumentação especializada. Na sua generalidade, os pacientes com queratocone têm modificações frequentes nas prescrições dos seus óculos, durante um curto período de tempo e, alem disso, os óculos já não fornecem uma correcção visual satisfatória. As refracções são também frequentemente variáveis e inconsistentes.

Os pacientes com queratocones relatam, frequentemente, situações de diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objectos) no olho afectado, e queixam-se de visão distorcida e “enevoada” não só para a visão ao longe, mas também para a visão ao perto. Alguns referem a existência de halos nos contornos das luzes, bem como fotofobia (sensibilidade anormal à luz).

A identificação de um queratocone moderado ou avançado é razoavelmente fácil. No entanto, importa referir que o diagnóstico de queratocone nas suas fases iniciais torna-se mais difícil, requerendo uma cuidadosa análise da história clínica do paciente, medições da acuidade visual e refracção, e ainda exames complementares realizados por instrumentação especializada. Na sua generalidade, os pacientes com queratocone têm modificações frequentes nas prescrições dos seus óculos, durante um curto período de tempo e, alem disso, os óculos já não fornecem uma correcção visual satisfatória. As refracções são também frequentemente variáveis e inconsistentes.

Muitos sinais objetivos estão presentes no queratocone. A retinoscopia mostra reflexo “em tesoura”. Com o uso do oftalmoscópio direto percebe-se um sombreamento. O queratômetro também auxilia no diagnóstico. Os achados queratométricos iniciais são ausência de paralelismo e inclinação das miras. Estes achados podem ser facilmente confundidos nos casos de queratocone incipiente.

A redução da acuidade visual em um olho, devido à doença assimétrica no outro olho, pode ser um indício precoce de queratocone. Este sinal é frequentemente associado com astigmatismo oblíquo.

A topografia corneana computadorizada ou fotoceratoscopia pode fornecer um exame mais acurado da córnea e mostrar irregularidades de qualquer área da córnea. O queratocone pode resultar em um mapa corneano extremamente complexo e irregular, tipicamente mostrando áreas de irregularidades inferiormente em forma de cone, o qual pode assumir diferentes formas e tamanhos.

O diagnóstico de queratocone também pode ser feito através do biomicroscópio ou lâmpada de fenda.

Através deste instrumento o médico poderá observar muitos dos sinais clássicos do queratocone:
• Anéis de Fleischer: anel de coloração amarelo-amarronzada a verde-oliva, composto de hemossiderina depositada profundamente no epitélio circundando a base do cone.

• Linhas de Vogt: são pequenas estrias semelhantes a cerdas de pincel, geralmente verticais embora possam ser oblíquas, localizadas na profundidade do estroma corneano.

• Afinamento corneano: um dos critérios propostos para o diagnóstico de queratocone é o afinamento corneano significante maior que 1/5 da espessura da córnea. À medida que a doença progride o cone é deslocado inferiormente. O ápice do cone é geralmente a área mais afinada.

• Cicatrizes corneanas: geralmente não são vistas precocemente, porém com a progressão da doença ocorre ruptura da membrana de Bowman, a qual separa o epitélio do estroma corneano. Opacidades profundas da córnea não são incomuns no queratocone.

• Manchas em redemoinho: podem ocorrer naqueles pacientes que nunca tenham usado lentes de contato.

• Hidropsia: ocorre geralmente nos casos avançados, quando há ruptura da membrana de Descemet e o humor aquoso flui para dentro da córnea tornando-a edemaciada. Quando isso ocorre o paciente relata perda visual aguda e nota-se um ponto esbranquiçado na córnea. Hidropsia causa edema e opacificação. Caso a membrana de Descemet se regenere o edema e a opacificação diminuem. Pacientes com síndrome de Down têm maior incidência de hidropsia. O acto de coçar e friccionar os olhos deve ser evitado nestes pacientes.

• Sinal de Munson: este sinal ocorre no queratocone avançado quando a córnea protui o suficiente para angular a pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo.

• Reflexo luminoso de Ruzutti: um reflexo luminoso projetado do lado temporal será deslocado além do sulco limbar nasal quando um alto astigmatismo e córnea cônica estão presentes.

• Pressão Intra-ocular reduzida: uma baixa pressão intra-ocular geralmente é encontrada como resultado do afinamento corneano e/ou redução da rigidez escleral.

Como se classifica o queratocone?
• Baseado na severidade da curvatura:
- Discreto: 45 dioptrias em ambos os meridianos.
- Moderado: entre 45 a 52 dioptrias em ambos os meridianos.
- Avançado: > 52 dioptrias em ambos os meridianos.
- Severo: > 62 dioptrias em ambos os meridianos.

• Baseado na forma do cone:
- Pequeno monte: forma arredondada, com diâmetro pequeno em torno de 5 mm.
- Oval: geralmente deslocado inferiormente, com diâmetro > 5 mm. É o tipo mais comumente encontrado no exame de topografia corneana.
- Globoso: quando 75 % da córnea está afetada, possui diâmetro maior que 6 mm. É também chamado queratoglobo, e é o tipo mais difícil para se adaptar lentes de contato.



Quais são as opções de tratamento disponíveis para o queratocone ?

O tratamento do queratocone depende da severidade da condição.

1. Correção óptica

Inicialmente, os óculos corrigem satisfatoriamente a miopia e astigmatismo. Entretanto, à medida que a doença progride a visão não é mais adequadamente corrigida e requer o uso de lentes de contato rígidas para promover o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória. Tardiamente, quando as lentes de contato não fornecem boa visão ou há intolerância ao uso das lentes de contato, está indicado o transplante de córnea.

2. Tratamentos cirúrgicos

Vários tipos de tratamentos cirúrgicos têm sido propostos para casos de queratocone:
• Queratoplastia penetrante: o transplante de córnea é o tratamento mais comumente realizado. Neste procedimento a córnea com queratocone é removida e então a córnea do doador é recolocada e suturada no receptor. Lentes de contato são geralmente necessárias para fornecer uma melhor acuidade visual.

• Queratoplastia lamelar: a córnea é removida na profundidade do estroma posterior, e um botão de córnea doada é suturado no local. Tal técnica é mais difícil de ser executada e a acuidade visual é inferior àquela obtida com a ceratoplastia penetrante. As desvantagens da técnica incluem vascularização e embaçamento do enxerto.

• Excimer laser: recentemente este laser tem sido usado em situações específicas com algum sucesso na remoção de placas de córnea central. Contudo o LASIK é ainda um procedimento experimental e não está claro se é apropriado para o tratamento do queratocone.